julho 09, 2012

Intimidade

ㅤㅤEm momento algum acreditara que aquilo fosse amor. De forma alguma. Amor por ele? Por todas as pessoas do mundo, menos por ele.
ㅤㅤEra assim que pensara a situação. Desde o princípio. Era tudo, menos amor. E quando diziam-lhe que estava apaixonada, negava veementemente. E quando surpreendia-se pensando nele, tratava logo de mudar o rumo, distrair-se e agarrar-se a algo firme.
ㅤㅤPorque desde o princípio soubera que ele era inconstância. Não havia estabilidade quando tratava-se dele.
ㅤㅤE ela jamais poderia amar alguém assim.
ㅤㅤAté ouvir "sexo é amor".
ㅤㅤJamais havia pensado em alguém da forma que pensava nele. Nem desejado alguém como o desejava. Ninguém arrancara-lhe arrepios com tanta facilidade.
ㅤㅤE em seus dezoito anos, jamais havia sentido tanta vontade de entregar-se a alguém como a ele. Era quase uma necessidade: corroía, corrompia.
ㅤㅤEra natural que os beijos de ambos conduzissem para a união dos corpos. As mãos espalmadas nas costas dele viajavam sem receios pela pele macia, conhecendo e reconhecendo seus traços.
ㅤㅤOs lábios perdiam-se, procuravam chegar a parte inexploradas anteriormente. E alcançavam. Pediam-se na pele, nas curvas. Pendiam e perdiam-se entre vales e montanhas, no relevo dos corpos.
ㅤㅤOs lábios encontravam-se. Selavam o pacto que os unia. E perdiam-se novamente só para encontrarem-se mais uma vez. E outra, e mais outra.
ㅤㅤE eram um. Era amor e só assim ela compreendeu: mais do que corações que haviam se escolhido ou não se escolhido, eles eram corpos. Corpos que dividiam a mesma sintonia e um mesmo desejo. Eram corpos que haviam se escolhido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário