julho 29, 2013

Doença

Quero que vás embora, que batas com força a porta e que enfrentes a tempestade e o frio sozinho. Eu quero que tu apanhes do vento, que desencontre-te dentro de ti mesmo e que, no fim, aches que a minha confusão foi a coisa mais linda que já lhe aconteceu. Quero que grites, que contorças. Quero que te arrependas e enlouqueças por ter mentido. Eu quero que tu te partas em dois, em três... Em mil pedaços e, depois, peças ajuda para colocar-te no lugar. E aqui de longe, aqui, no meu pedestal, lembrar-te-ei de quem realmente sou.  Sem vergonha ou segundas intenções, eu esfregarei na tua linda cara quem sou. E as minhas cicatrizes. E os meus medos. E os meus erros. Talvez te recorde de forma dolorosa os teus erros, também.
E então, quando ambos formos uma massa compacta e irreconhecível de dor, puxar-te-ei pra junto de mim. Dançaremos no nosso próprio sangue e na nossa própria vergonha. Coroar-te-ei com meu coração novamente. E, novamente, irás comer da minha carne, afundar nas minhas entranhas, fazer-me contorcer e suplicar de dor. Assim, num gemido sofrido de quem ama, hei de pedir por mais. Hei de pedir que me ame de novo, e de novo! Pedirei para que me rasgue, estrague e destrua novamente.

Porque amar-te é assim, destrutivo e venenoso, cancerígeno e doentio. E a verdade é que amo morrer de amores por você. E que morreria quantas vezes fosse necessário, só para voltar aos seus braços no fim de cada ciclo. 

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